Instituto Odeon assegura que não será o administrador da Usina

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Representantes da instituição estiveram em Porto Alegre onde organizaram seminário para a Prefeitura | Luciano Lanes/PMPA

Contratado para realizar um estudo que ofereça um modelo de gestão capaz de potencializar a Usina do Gasômetro como centro cultural, o Instituto Odeon garante que não tem interesse em assumir uma futura administração do equipamento.

“Nunca concorreríamos em uma licitação para gerir um espaço do qual fizemos o projeto, não está de acordo com os nossos princípios”, assegurou ao Dossiê Palcos Públicos o diretor-presidente da Organização Social (OS), Carlos Gradim.

Segundo o executivo do Odeon, trata-se de um parâmetro ético do grupo, uma vez que configuraria concorrência desleal frente a outros competidores que não teriam acesso às mesmas informações, nem em profundidade e nem em antecedência. A postura firme já o levou, inclusive, a abrir mão de pelo menos um contrato de consultoria, com a prefeitura de Vitória, no Espírito Santo, após conhecer o Cais das Artes, espaço que deveria estudar, e “se apaixonar” pelas possibilidades que oferecia.

“Era um local que reunia várias características que nos interessam trabalhar, como teatro, espaço expositivo para artes visuais e música”, ilustra.

Diante da constatação de que gostaria de administrar o espaço em uma eventual concessão, Gradim e o Instituto Odeon cancelaram o contrato de consultoria que prestariam ao município.

Modelo de gestão ainda não está definido

A eventual concessão administrativa ao mesmo grupo que fará o estudo sobre o modelo de gestão do Gasômetro era um dos questionamentos que artistas vinham fazendo à prefeitura de Porto Alegre. Havia certo temor da classe artística de que fosse um jogo de cartas marcadas, com uma instituição desenvolvendo um modelo sob medida para si mesma.

Alimentava a desconfiança o fato de o Instituto Odeon ser o gestor do Museu de Arte do Rio (MAR), equipamento municipal mas que está sob administração privada desde sua criação, em 2012.

Mas tanto os representantes do Instituto Odeon quanto integrantes do Executivo municipal asseguram que sequer está claro se realmente a Usina terá uma administração terceirizada, nos moldes do MAR, conforme anunciou o ex-secretário de Cultura Roque Jacoby ao deixar a pasta, no fim de 2016.

“O processo está em construção, não significa que é isso que vai acontecer. Há outros modelos e podemos inclusive construir um modelo totalmente novo”, objeta o diretor da Usina do Gasômetro, Luiz Armando Capra Filho.

Estudo deve estar pronto em seis meses

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Centro cultural será fechado para reforma | Tânia Meinerz

O Odeon já iniciou uma série de entrevistas com gestores públicos, classe artística e até vizinhos da Usina do Gasômetro para compreender melhor as expectativas de cada público sobre o centro cultural.

Embora esteja prestando uma consultoria à prefeitura, o contrato com o Instituto Odeon foi firmado e é pago pelo Corporação Andina de Fomento (CAF), que financiou as obras de revitalização da Orla do Guaíba, que incluem trẽs milhões de dólares para a reforma do Gasômetro. “Quem nos paga é o CAF, mas que nos cobra resultados é a prefeitura de Porto Alegre”, esclareceu Gradim.

O Odeon tem cerca de seis meses para concluir o estudo sobre o melhor modelo de gestão para o Gasômetro, mas esse prazo depende também da entrega do projeto executivo da reforma do edifício, que está sendo realizado pela 3C Arquitetura. “Precisamos entender a lógica prevista no projeto, a relação entre os espaços, para podermos aportar sugestões, decidir caminhos”, ilustra o diretor presidente da organização.

Para isso, a consultoria incluiu até uma arquiteta no grupo que está trabalhando no estudo do Gasômetro, que mantém contato permanente com a empresa responsável pelo projeto de restauro.

Seminário foi primeira entrega do contrato

De acordo com Gradim, o contrato com o Odeon foi assinado nos primeiros dias de maio – embora a OS já houvesse sido selecionada para o serviço de consultoria na gestão passada, que convidou algumas instituições a apresentarem propostas.

O primeiro mês de trabalho foi dedicado especialmente à organização do seminário “O terceiro setor na gestão cultural”, realizado nesta quarta-feira (31 de maio), na Cinemateca Capitólio.

Ao longo do dia, palestrantes de Minas Gerais e São Paulo – dois estados onde o Instituto Odeon atua com força – se sucederam para apresentar cases bem sucedidos de parcerias público-privadas na área cultural.  “Queríamos reunir todos os atores envolvidos nesse processo para explicar que bicho é esse”, sintetizou Gradim.

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Evento no Capitólio apresentou modelo que Porto Alegre deve adotar |Luciano Lanes/PMPA

As inscrições eram livres, na tentativa também de ampliar o debate sobre esse formato de gestão, que é uma realidade, por exemplo, no Estado de São Paulo, onde 79% do orçamento da secretaria de Cultura é repassado a organizações da sociedade civil por meio de contratos de gestão em todas as áreas – desde as orquestras e companhias de dança até museus, teatros e bibliotecas são administrados por OS’s.

“Era tão democrático que teve até protesto”, assinalou Gradim, em referência a uma manifestação de artistas de Porto Alegre que cobravam a definição do orçamento da Secretaria Municipal da Cultura e maior trasnparência dos gestores da pasta.

A prefeitura de Porto Alegre pretende adotar esse modelo para a Capital e deve publicar nos próximos dias, no Diário Oficial, um decreto regulamentando a lei federal 13.019/14, que autoriza o Executivo a firmar parcerias com organizações sociais em diversas áreas. “Casos bem sucedidos em São Paulo e outros locais do Brasil serão replicados”, afiançou o adjunto da Cultura, Eduardo Wolff.

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